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Culturas alimentares

CULTURAS ALIMENTARES

Estudamos e documentamos ligações históricas que as culturas alimentares possuem com a construção de identidades, ou seja, com os sentidos de pertencimento que os sujeitos estabelecem com grupos e espaços ao longo do tempo. Existe uma série de estudos interdisciplinares sobre alimentação e cultura alimentar que subsidiarão nossas atividades junto às comunidades.

A área de História, com tópicos específicos de história da alimentação no mundo, no Brasil e em regiões particulares, como São Paulo, possibilita reconhecer as trajetórias dos hábitos e culturas alimentares existentes na atualidade e considerá-los como patrimônio cultural imaterial de grande valia para o reconhecimento de sociabilidades e tradições culturais que resistem no entorno da UFABC.

Áreas disciplinares como a Antropologia da Alimentação, a Filosofia, a Nutrição, a Gastronomia, a Enfermagem, a Medicina, a Geografia, as Artes, entre outras, utilizam conhecimentos históricos para investigar como sujeitos e grupos conformam práticas alimentares e de que maneira tais saberes se constituem em lastro e fundamento de relações sociais, econômicas, culturais, religiosas, políticas, influenciando e transformando o cotidiano e a qualidade de vida das pessoas.

A comida é e será tratada como vestígio documental, a partir da inspiração dessas referências, trazendo à consideração desde o cultivo ou tratamento de seus ingredientes; os objetos e artefatos necessários à sua produção e consumo; as ocasiões, os momentos, as circunstâncias, o contexto histórico diretamente relacionados aos hábitos alimentares; a identificação de grupos étnicos pela cultura alimentar; bem como os significados sobrepostos e complexos acerca do ato da alimentação como representação de forças e fraquezas, continuidades e descontinuidades de comunidades.

Emergem dos estudos, e pautam nossas propostas de intervenção extensionista, a preocupação com o patrimônio imaterial no meio urbano assolado por constantes e ininterruptas mudanças e fluxos migratórios e imigratórios. Queremos dar atenção especial para o fato de que podemos ajudar a produzir novos conhecimentos, reconhecer saberes marginalizados como bens culturais imateriais e, dessa forma, possibilitar a transformação de espaços urbanos degradados ao reconhecer as culturas e os hábitos alimentares como ponto crucial para questionar a desagregação e a deterioração do modo de vida dos sujeitos e grupos na vida urbana de uma grande região metropolitana, como é o ABC paulista. Nossas atividades de pesquisa e extensão no Programa Memória dos Paladares da UFABC levarão em conta as inúmeras relações entre as práticas de alimentação, o deslocamento de indivíduos e comunidades, a paisagem das cidades, envolvendo também questões ambientais, de sustentabilidade, de saúde pública e de segurança alimentar, além das questões históricas e culturais.

Nessa direção, é preciso reconhecer que a necessidade de construção de um acervo documental em torno da memória dos paladares não deve ser apenas um privilégio de lugares já consagrados como tradicionais, com regionalismos aparentemente mais homogêneos e com origens supostamente mais antigas. Acreditamos que o patrimônio imaterial existente na região metropolitana do ABC paulista é marcado pelo hibridismo, pela miscigenação, pela reinvenção de regionalismos nacionais e pela sobreposição de hábitos culturais de várias etnias, classes sociais e gerações que permanecem ou circulam pelas periferias. Territórios considerados como tipicamente industriais, mas que, até algumas décadas atrás, eram caracterizados por serem fronteira e zona rural entre a cidade de São Paulo e outras cidades do interior paulista.

Essa característica em particular nos leva a considerar na formação da nossa equipe e nas atividades de extensão que serão desenvolvidas, alguns estudos clássicos de história e sociologia urbana que apontaram a permanência de culturas de origens camponesas, rurais, “caipira” – seja paulista, paranaense, mineira, nordestina – em meio à criação de novas culturas e hábitos urbanos, em processos de modernização conflituosos e heterogêneos que necessitam do cruzamento de categorias de análise tais como classe, gênero, geração e etnia para serem investigados e abordados na contemporaneidade.

Uma resposta »

  1. esta pesquisa esta muito boa

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